O.
22 September 2009 @ 04:10 pm
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"A ação humana não se torna menos frágil e errática: é o mundo em que ela tenta inscrever-se e pelo qual procura orientar-se que parece ter-se tornado assim. Como pode alguém viver a sua vida como peregrinação se os relicários e santuários são mudados de um lado para o outro, são profanados, tornados sacrossantos e depois novamente ímpios num período de tempo mais curto do que levaria a jornada para alcança-los? Como pode alguém investir numa realização de vida inteira, se hoje os valores são obrigados a se desvalorizar e, amanhã, a se dilatar? Como pode alguém se preparar para a vocação da vida, se habilidades laboriosamente adquiridas se tornam dívidas um dia depois de se tornarem bens? Quando profissões e empregos desaparecem sem deixar notícia e as especialidades de ontem são os antolhos de hoje? E como se pode fixar e separar um lugar no mundo se todos os direitos adquiridos não o são senão até segunda ordem, quando a caláusula da retirada à vontade está escrita em todo contrato de pareceria quando (...) todo relacionamento não é senão um 'símples' relacionamento, isto é, um relacionamento sem compromisso e com nenhuma obrigação contraída, e não é senão amor 'confluente', para durar não mais do que a satisfação derivada?"

- Zygmunt Bauman, O Mal-Estar da Pós Modernidade (1997), p. 112
 
 
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